Acelerando além das barreiras
Conheça mulheres que desafiaram os esteriótipos no esporte de motor, e abriram portas para mais mulheres nas pistas e bastidores.

Bertha Benz
A primeira pessoa na história a dirigir um automóvel a uma longa distância.
Bertha Benz, visionária e corajosa, em 1888, protagonizou a primeira viagem de automóvel da história. Com ousadia, ela percorreu 100 quilômetros. Seu feito pioneiro foi um marco crucial no desenvolvimento dos automóveis.

Camille du Gast
Primeira mulher a competir constantemente em nível internacional
Camille du Gast, uma das mais renomadas pilotos de corrida da França. Em 1900, Camille iniciou seu envolvimento com o esporte quando presenciou o início da corrida Paris-Lyon, e no ano seguinte, já estava ao volante, participando da corrida Paris-Berlim. Completando a prova em torno da 30ª posição geral em um Panhard de 20hp. Após encerrar sua carreira nas corridas de automóveis, direcionou seu talento para os barcos de alta velocidade.

Dorothy Levitt
Primeira piloto britânica
Dorothy foi a inventora do retrovisor e era conhecida como a "A mulher mais rápida do mundo". Levitt, pioneira do automobilismo no início do século XX, surpreendeu a Inglaterra ao participar da Southport Speed Trials em 1903, tornando-se a primeira mulher do país a competir em corridas de carros. Pilotando um Gladiator de 12 cavalos da Napier & Son, sua carreira decolou rapidamente, e começou a conquistar vários troféus. Além de suas proezas nas pistas, Dorothy destacou-se como escritora e defensora da participação feminina no automobilismo, contribuindo com colunas e publicando o livro "A Mulher e o Carro" em 1909. Ao estabelecer recordes de velocidade, incluindo o de 79,75 milhas por hora em 1905, e ganhar medalhas de ouro, como na Herkomer Trophy Race de 1907 na Alemanha, ela enfrentou obstáculos, como a proibição de mulheres em pistas famosas, como Brooklands. Com a probição, Dorothy começou a advogar pela alteração das regras, e em 1908, obteve um triunfo significativo: o circuito passou a permitir a participação de mulheres. Apesar dos desafios, seu legado perdura, sendo reconhecida por sua destreza nas corridas e seu papel crucial na quebra de barreiras de gênero no mundo automobilístico.

Odette Siko e Marguerite Mareuse
As senhoras Le Mans
Em 1930, a dupla se tornou a primeira equipe de mulheres no Le Mans. Odette Siko, a talentosa pilota francesa, deu início à sua carreira automobilística no final dos anos 20, marcando presença nas 24 Horas de Le Mans a partir de 1930. No seu primeiro desafio em Le Mans, escolheu pilotar o Bugatti Type 40 de sua amiga Marguerite Mareuse, equipado com um motor de quatro cilindros e 1,5 litro. A estreante dupla alcançou uma impressionante 7ª posição geral, prometendo retornar no ano seguinte. Contudo, em 1931, o Bugatti Type 40 foi desclassificado, levando ao desfecho da parceria.

Kay Petre
A rainha de Brookland
iniciou sua carreira com um Wolseley Hornet Special vermelho Daytona. Em 1933, avançou ao adquirir um Bugatti de dois litros, seu primeiro "carro de corrida adequado". Destacando-se em corridas em Brooklands e Shelsley Walsh, ela inscreveu-se nas 24 Horas de Le Mans em 1934, completando a corrida ao lado de Dorothy Champney, uma conquista notável.
Kay enfrentou desafios ao pilotar um imponente Delage V12 de 10,5 litros, sendo uma das duas mulheres a alcançar 130 mph no período de 1928 a 1939.
Em anos subsequentes, competiu em diversos carros, conquistando prêmios como a Ladies Cup do Midlands Auto Club e o Shelsley Ladies Challenge em um White Riley de duas rodas traseiras. Sua carreira a levou à África do Sul em 1937, onde teve a oportunidade de pilotar o revolucionário carro de corrida com motor traseiro da Auto Union, graças ao encontro com Berndt Rosemeyer.
Integrando a equipe de corrida da Austin após seu retorno à Inglaterra, Kay alcançou sucesso em Crystal Palace e Shelsley Walsh. No entanto, em 1937, sua carreira foi abruptamente interrompida por um grave acidente durante treinos em Brooklands, resultando em coma e recuperação notável, mantendo-se como uma pioneira feminina no automobilismo.

Anne Hall
Uma das melhores pilotos de rali
Anne Hall,uma das mais conhecidas piloto de rally do Reino Unido, marcou sua presença nas décadas de 1950 e 1960. Iniciando sua carreira em 1950 ao lado de sua irmã Mary Newton, Anne alcançou notoriedade ao vencer a Ladies' Cup no London Motor Rally de 1953, conduzindo um Jaguar. Em parceria com Sheila Van Damm, ela conquistou a classe feminina do International Viking Rally na Noruega em 1954 e repetiu o sucesso no Dutch Tulip Rally e na Coupe des Dames em Monte Carlo em 1955. Participando de ralis de longa distância por cerca de 15 anos, incluindo o Rally de Monte Carlo, Safari do Leste Africano e Cross-Canada Rally, Anne acumulou troféus, incluindo a Coupe des Dames em Monte Carlo em 1961.
Em 1961, ao ingressar no East African Safari Rally, Anne Hall desafiou a sugestão de ser a segunda piloto da então campeã de rali feminina do Quênia, Lucille Cardwell. Em um teste de velocidade, Anne triunfou sobre sua colega. Durante o evento, compartilharam a direção e conquistaram a Ladies' Cup, alcançando uma impressionante terceira posição geral.
Após encerrar sua carreira profissional no final dos anos 1960, Anne Hall dedicou-se à fundação de uma escola de direção avançada no Reino Unido. Sua trajetória não apenas como piloto de destaque, mas também como instrutora, destaca seu legado duradouro no automobilismo.

Lella Lombardi
Primeira mulher a pontuar na F1
Lella Lombardi é a a segunda mulher a competir na Fórmula 1 e a primeira a pontuar em um Grand Prix do campeonato. A italiana inicou no automobilismo como copilota de rali. Inicialmente envolvida em carros de turismo, Lombardi fez a transição para monopostos, alcançando o Campeonato Britânico de Fórmula 5000 em 1974. Embora não tenha obtido sucesso em sua tentativa de qualificação para o Grande Prêmio da Grã-Bretanha, conduzindo um antigo Brabham, ela fez história no mesmo ano, tornando-se a primeira mulher a se classificar para um Grande Prêmio (África do Sul) desde de Filippis. Em uma corrida subsequente, Lella conquistou o sexto lugar no encurtado Grande Prêmio da Espanha, marcando presença como a primeira mulher a pontuar no Campeonato Mundial de Fórmula 1 (0,5 ponto) após o encerramento prematuro da corrida. Diante das adversidades enfrentadas na temporada de 1976, Lombardi optou por deixar a Fórmula 1, direcionando sua carreira para um notável caminho em carros esportivos e de turismo, inclusive competindo na NASCAR em Daytona em 1977. Ela se destacou como a primeira mulher a vencer uma etapa do Campeonato Mundial de Fabricantes da FIA, triunfando nas 6 Horas de Enna em 1979. A despeito de sua aposentadoria de Le Mans em 1975, seu legado perdura, com realizações notáveis, como o 20º lugar em 1976 com Christine Dacremont e o 11º lugar geral, conquistando o 2º lugar na classe GTP, em 1977, com Christine Beckers. Lombardi continuou a competir até o final dos anos 1980.
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Maria Teresa de Filippis
Primeira mulher a competir na F1
Maria Teresa de Filippis, uma pioneira no automobilismo, marcou sua presença competindo em três corridas entre 1958 e 1959, sempre ao volante de um Maserati 250F. Além dessas participações, realizou treinos de classificação em duas ocasiões, embora não tenha conseguido garantir um lugar no grid de largada. O ponto alto de seu desempenho ocorreu no GP da Bélgica de 1958, em Spa-Francorchamps, conquistando a 10ª posição; no entanto, nesse período, essa colocação ainda não rendia pontos.
Filippis não apenas deixou sua marca nas pistas, mas também se tornou um ícone na luta pela inclusão das mulheres no mundo automobilístico. Sua participação nos treinos para o GP da França de 1958, mesmo sem obter tempo suficiente para se qualificar, destaca-se como um ato de desafio às barreiras de gênero. O episódio em que o diretor de prova fez um comentário sexista, insinuando que o único capacete apropriado para uma mulher seria o de um cabeleireiro, ressalta os preconceitos enfrentados por Filippis e destaca sua coragem diante de um ambiente predominantemente masculino.

Michèle Mouton
A rainha do rali
É impossível falar de rali e mulheres sem citar o nome de Michèle Mouton. A piloto francesa iniciou sua carreira em 1973 ao volante de um Alpine Renault 1600. Sua ascensão no cenário automobilístico foi rápida, conquistando títulos no Campeonato Francês e Europeu de Mulheres em 1975, 1976 e 1977. Neste último ano, alcançou o segundo lugar geral no Campeonato Europeu ao vencer o prestigiado rali espanhol.
Em 1978, Michèle ingressou na equipe oficial da Fiat France, triunfando no renomado Tour de France e no Lyon-Charbonières. O período de 1981 a 1985 marcou o auge de sua carreira, quando, ao lado da co-pilota italiana Fabrizia Pons, brilhou globalmente com a Audi. Juntas, venceram o rali de Sanremo, tornando-se pioneiras ao serem as primeiras mulheres a conquistar uma vitória em um rali do Campeonato Mundial.
O ano de 1982 foi marcante para Michèle adicionando três vitórias em Portugal, Grécia e Brasil ao seu currículo. Além disso, obteve o segundo lugar em eventos como o RAC, Portugal e Suécia. Ela e Fabrizia alcançaram o título de Vice-Campeãs Mundiais na série, ficando atrás apenas de Walter Röhrl.
O último ano da Audi em 1985 ficou marcado pelo estabelecimento do recorde no Pike's Peak, tornando-se a primeira mulher a vencer essa lendária corrida. Após encerrar sua carreira profissional em 1986, conquistando o título do Campeonato Alemão de Rali com a Peugeot, Michèle dedicou-se a eventos de rally raid.

Divina Galica
Primeira britânica tentar qualificar na F1
Em 1976, a pilota inglesa Divina Galica tentou qualificar-se para o Grande Prêmio da Grã-Bretanha, mas não teve sucesso. Ela também tentou no Grande Prêmio da Argentina e do Brasil em 1978. No entanto, ela e Lella Lombardi entraram para a história, já que esse foi o único Grande Prêmio na história em que duas mulheres estavam inscritas. Divina alcançou o sucesso como pilota de caminhão, tornando-se campeã no Campeonato Britânico Classe A.

Giovanna Amati
Última piloto mulher titular na F1
Em 1992 tinhámos a nossa última mulher como piloto titular na Fórmula 1. Desde então, (2023), isso nunca mais aconteceu.
Giovana Amati despertou seu interesse por corridas pouco antes de completar 20 anos. Seu ingresso no universo automobilístico foi facilitado por Elio de Angelis, um amigo da família, que a introduziu em aulas de pilotagem. A partir de 1981, ela iniciou sua jornada nas categorias de base na Itália, embora não tenha se destacado significativamente. Durante os anos de 1985 e 1986, competiu na F3 local, enfrentando oponentes renomados como Nicola Larini e Stefano Modena.
Infelizmente, a passagem de Amati pela Fórmula 1 foi breve, limitando-se a apenas três Grandes Prêmios. A equipe que a contratou enfrentava sérias dificuldades financeiras, perdendo apoios japoneses e os motores Yamaha. Para participar do campeonato, a equipe precisou recorrer a um empréstimo de US$ 10 milhões, mas ficou evidente que os custos eram muito além desse valor. O carro foi construído às pressas para Amati, e a escassez de recursos resultou em apresentações decepcionantes. Após o GP do Brasil, a equipe optou por substituí-la por Damon Hill.

Lyn St. James
Acelerando em provas de longa duração
Lyn St. James é estadunidense e iniciou como piloto em 1973. Ela é uma das cinco mulheres que se qualificaram para as 500 milhas de Indianápolis. Além disso, Lyn foi a primeira a conquistar o premio de Rookie of The Year (estreante do ano) nas 500 Milhas de Indianápolis em 1992. Outro feito foi as duas participações nas 24 horas de Le Mans, em 1989 e 1991. Mas o que ficou marcado foram as duas vitórias nas 24 Horas de Daytona em 1987 e 1990.

Jamie Chadwick
Piloto da IndyNXT e tricampeã da WSeries
Um dos nomes mais recentes no automobilismo é a britânica Jamie. A piloto de testes da Williams fez história da WSeries sendo a campeã nas 3 únicas edições que teve. Depois da categoria encerrar por falta de investimento, Chadwick se firmou na IndyNXT. A piloto iniciou a carreira com apenas 11 anos junto com seu irmão, mas só partiu para os veículos monoposto em 2017, competindo no Campeonato Britânico de Fórmula 3 da BRDC pela equipe Double R Racing. Embora tenha conquistado seu único pódio na temporada, alcançando o terceiro lugar em Rockingham, terminou em nono na classificação geral. Na temporada seguinte, permaneceu no campeonato, representando a equipe Douglas Motorsport. Em agosto de 2018, Chadwick fez história ao se tornar a primeira mulher a vencer uma corrida da F3 britânica em Brands Hatch, encerrando a temporada em oitavo lugar.
Além de sua participação nas competições de Fórmula 3, Chadwick também competiu nas 24 Horas de Nürburgring de 2018, dirigindo um Aston Martin Vantage V8 GT4. Embora a equipe tenha alcançado o quinto lugar na classe, ficou em sexagésimo terceiro no geral. Em novembro de 2018, ela assinou para a temporada 2018-19 da MRF Challenge, conquistando vitórias significativas e garantindo o título, tornando-se a primeira mulher a vencer nesse campeonato. Adicionalmente, Chadwick teve a oportunidade de realizar testes com a equipe NIO Formula E em Riyadh e Marrakesh.

Danica Patrick
A piloto mulher mais bem sucedida nos Estados Unidos
Danica Patrick, uma das figuras mais proeminentes no automobilismo, alcançou feitos incríveis ao longo de sua carreira na IndyCar. Nomeada Rookie of The Year na Indianapolis 500 e na temporada de 2005, ela fez história ao conquistar a vitória no Indy Japan 300 de 2008, tornando-se a primeira mulher a vencer uma corrida na IndyCar. Seu terceiro lugar na Indianapolis 500 de 2009 não só foi seu melhor desempenho pessoal como também a posição mais alta já alcançada por uma mulher no evento.

Bia Figueiredo
A piloto mulher brasileira mais bem sucedida
Se você é brasileiro e fã de automobilismo duvido que nunca tenha escutado o nome da Bia. A piloto é um dos principais nomes do automobilismo, e a mulher que chegou mais próximo a F1 do Brasil. Começando no kart por interesse próprio, já que ninguém da família era envolvido com automobilismo, Bia competiu no Brasil e na Europa. Em 2004 e 2005 na Fórmula Renault, sendo a primeira mulher a vencer uma prova na categoria. Na Fórmula 3 Sul-Americana de 2006, tornou-se a primeira mulher a conquistar uma pole position. Sua trajetória no automobilismo inclui feitos históricos, como ser a única a vencer uma bateria no Desafio Internacional das Estrelas de Kart (2010) e ser a primeira brasileira na Fórmula Indy, competindo entre 2010 e 2013. Sua estreia na São Paulo Indy 300 em 2010 marcou o início de uma carreira notável na Indy, e em 2010, qualificou-se para as 500 Milhas de Indianápolis, completando a prova em 21º lugar. Atualmente, Bia compete na Copa Truck Brasil, e foi a primeira mulher a vencer uma prova na categoria. Além disso, é presidente da Comissão Feminina de Automobilismo, da Confederação Brasileira de Automobilismo, promovendo projetos de inclusão feminina no esporte.

Susie Wolff
Ex-piloto de testes da Williams e diretora da F1 Academy
É impossível falar de mulheres no automobilismo e não pensar no nome de Susie Wolff. A piloto escocesa foi uma das últimas esperanças para uma mulher titular na F1, mas apesar de não ter dado certo, conseguiu atingir o topo do pódio em outras categorias - e cargos. Atualmente ela é a diretora administrativa da F1 Academy e apoia projetos de inclusão feminina no esporte de motor. Antes de ser escolhida para o cargo, Susie era CEO e Chefe de Equipe da Venturi Racing na Fórmula E, e inclusive foi a campeã de construtores.
Depois de adquirir experiência no kart, na Formula Renault e na DTM pela Mercedes-Benz, Susie entrou para a história durante o Grande Prêmio da Grã-Bretanha de 2014 ao tornar-se a primeira mulher a participar de um fim de semana de corrida de Fórmula 1 em 22 anos.
Ao encerrar sua carreira nas pistas em 2015 e como parte de seu compromisso em impulsionar mudanças positivas no esporte, em 2016, Susie lançou a iniciativa "Dare To Be Different" (Ouse Ser Diferente), um apelo à ação focado em fomentar o talento feminino, inspirando a próxima geração e aumentando a presença das mulheres em todos os níveis e aspectos do automobilismo