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A mulher das notícias de velocidade: Patrícia Alves há 20 anos na Stock Car

  • Foto do escritor: Giulia Carvalho
    Giulia Carvalho
  • 30 de nov. de 2023
  • 4 min de leitura

Atualizado: 2 de dez. de 2023

Com duas décadas de história dentro do automobilismo, a assessora de imprensa moldou as narrativas da Stock Car e Rali no Brasil

O barulho alto de motores e o cheiro de pneus queimando no asfalto podem trazer um estereótipo antiquado que não vão ter mulheres apaixonadas pelo esporte de motor. Mas além, de muitas fãs nas arquibancadas, nos bastidores da velocidade da Stock Car, Patrícia Alves se destaca por mais de 20 anos trabalhando como assessora de imprensa na categoria. 

A jornalista e assessora de imprensa abriu seu próprio caminho no esporte, e é um ícone para mulheres que querem seguir carreira no automobilismo. 

Quando começou havia apenas 3 mulheres na categoria, que hoje, tem uma presença feminina muito maior. Mas esse ambiente masculino nunca foi motivo para que Patrícia cogitasse que o automobilismo não era um local para que ela pudesse trabalhar. 

Fórmula Ela: Como foi o início da sua história com o automobilismo? 

Patrícia Alves: É muito interessante que as pessoas acham que para estar aqui,  a gente precisa nascer apaixonada por automobilismo, mas não foi assim comigo. Eu estou há 20 anos na categoria, mas a verdade é que eu era uma esportista muito ruim, e eu sabia que gostaria de trabalhar com esporte de alguma maneira.Sou apaixonada por jornalismo, quando eu terminei a faculdade acabei indo pra ser assessora de imprensa. Mas inicialmente, dentro do esporte eu fui primeiro para vela, e eu conheci o Eduardo, ele viu meu trabalho e me convidou para fazer automobilismo, fui para o Rally, foi apaixonante. O automobilismo tem essa força, o que no fim me trouxe para a Stock Car. 

Fórmula Ela: Como foi o seu primeiro contato trabalhando aqui? 

Patrícia Alves: Meu primeiro trabalho virou meme, porque eu fui escrever que tinha estragado o traseiro do diferencial, e não o diferencial traseiro, virou uma piada. Mas a partir daí deslanchou. Estou há 16 anos na mesma equipe, e a paixão continua a mesma, toda vez que venho para cá parece que é a primeira temporada. 

Fórmula Ela: Como é sua experiência sendo uma mulher trabalhando em uma categoria que é majoritariamente masculina?

Patrícia Alves: Eu nunca pensei em mim a partir do meu gênero. Acredito que foi por causa da forma que eu fui criada. Quando criança, qualquer coisa que eu quisesse fazer o meu pai me perguntava: “por que você quer fazer?” E a  gente tinha que se explicar, e ele falava então vai e faz. Eu nunca me preocupei, e isso não me atrapalhou. Nunca foi maltratada, nem cantada, o que importa é o resultado que você dá.

Fórmula Ela: Nos últimos anos teve um crescimento de público no automobilismo, mas também de um público feminino, como você vê isso? 

Patrícia Alves: Eu acho maravilhoso, eu nunca vi um movimento de tantas pessoas vindo pro automobilismo, quando eu comecei tinha poucas mulheres, nós éramos 3, hoje tem muito mais. Eu vejo com muito bons olhos, uma geração pouco preocupada com títulos e com quem eu sou. Ttenho a impressão que no automobilismo quanto menos saudosistas nós formos, é melhor. [...] Eu digo: pessoas venham, a gente não tem que ter cabimento, não seja uma fofolete, vai fazer o que você quiser. 

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Fórmula Ela: Conta uma história que te marcou nesses 20 anos no automobilismo

Patrícia Alves: O Max Wilson, teve uma vez no GP da Bahia, eu fiz uma pauta com o rapaz do Parangolé, tinha uma música do Rebolation.O Max é todo sério e ele dançou, foi muito engraçado, foi a primeira vez que eu o vi tão descontraído em uma pauta. Uma outra é quando eu levei os pilotos para servir sopa no albergue lá em Santa Cruz, foi uma experiência incrível, mudou a vida deles, e das pessoas. Nesse dia, uma das pessoas que estava disse que o sonho dele era ser professor, e os pilotos fizeram uma vaquinha e pagaram a faculdade da pessoa em situação de rua. Hoje em dia ele é professor lá em Santa Cruz.

É o que eu sempre falo, se aquilo mudar a vida de alguém a gente deve fazer. Não tem nada a ver com automobilismo, mas tem tudo a ver com automobilismo porque é a paixão das pessoas pelo automobilismo é que aproxima essas pessoas da gente e a gente pode fazer alguma coisa de diferente. 

Fórmula Ela: Qual a sua dica para quem sonha em seguir carreira no automobilismo? 

Patrícia Alves: Bom como jornalista, tem que gostar de contar histórias, eu acho que chegar aqui é um desafio. Então, não tenha pressa, tenha o que você quer em mente, tome cuidado com seu sabotador.  No meu início de carreira, eu fui cancelada pelo mercado. Eu era mãe e ninguém me aceitou nem para estágio, mas eu decidi que o mercado não ia me parar.  Então, é isso, não tem limite para aonde você quer chegar. Eu sempre olho a história do Gaetano di Mauro (piloto). Com 13 anos ele recebeu uma oportunidade na Itália, e foi para lá apenas com o dinheiro da passagem, trabalhando em fábrica de kart durante o dia para ter dinheiro. Então, não tem sorte, tem trabalho duro.  Eu mesmo, eu era uma criança pobre, e hoje eu estou aqui.

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