A única mulher chefe de equipe na Stock Car, conheça Babi Rodrigues
- Giulia Carvalho

- 10 de out. de 2023
- 3 min de leitura
Atualizado: 2 de dez. de 2023
A veterinária em apenas 3 anos no comando conseguiu levar a equipe ao lugar mais alto do pódio
O pioneirismo em ser a primeira mulher a comandar um espaço dominado por homens é desafiador, mas Babi Rodrigues consegue há 3 anos desbravar o automobilismo no mais alto cargo: chefe de equipe.
Entre as 16 equipes atualmente na Stock Car, a maior categoria no automobilismo brasileiro, a Hot Car é a casa onde Babi Rodrigues brilha. Além de ser a primeira mulher na história da categoria a comandar uma equipe, também foi a primeira a subir ao pódio para receber o troféu de melhor equipe por vencer uma corrida.
“Poder levantar o troféu de melhor equipe, passa um filme na cabeça, porque diariamente com todas as dificuldades, é impossível você não se questionar. Séra que estou fazendo a coisa certa? Será que eu deveria estar aqui? Mas na hora que você levanta o troféu é quase uma resposta divina que você deveria e está no caminho certo ", Babi Rodrigues reflete.

Babi Rodrigues e equipe antes da corrida de domingo em Goiania
Bárbara Rodrigues é formada em veterinária, até com um mestrado em nutrição animal, mas o automobilismo sempre esteve em sua vida. Isso porque é filha de Amadeu Rodrigues, que fundou a Hot Car, após uma carreira de piloto nas décadas de 1970 e 1980.
“Foi uma paixão que virou um negócio pro meu pai, e quando você consegue isso, você quer que sua família esteja perto. e foi isso que fez eu vivenciar o automobilismo”, comenta.
Mas trabalhar com automobilismo acabou acontecendo há pouco tempo “Quando meu pai precisou de ajuda, eu não pensei duas vezes e larguei tudo pra trabalhar com ele. [...] Foram 2 anos trabalhando lado a lado com ele. Depois que ele acabou falecendo eu tomei frente para entregar a segurança para todos os outros integrantes da equipe.”
Apesar de ter tomado o comando do negócio em um momento de luto, conseguiu trazer ótimos resultados em corridas e evolução da equipe.
Lugar de mulher
O crescimento do interesse de mulheres pelo automobilismo foi comprovada em pesquisas de audiência, principalmente pela Fórmula 1. Mas não foi apenas na categoria mundial que a popularidade cresceu, na Stock Car esse público também chegou.
“Está crescendo muito, é muito bacana ver um grupo de meninas [...] É bonito de ver, e você vê que quebra paradigmas. Eu já ouvi falar que mulher só torcia por corrida pra ver os pilotos, e hoje em dia a gente vê que isso é uma baboseira, [o automobilismo] é um esporte apaixonante ", reflete.
A ideia de que mulheres só assistem o esporte por causa de “pilotos bonitos” não é só um comentário feito aos cochichos ou em redes sociais por anônimos, mas também foi encorajado e replicado por figuras importantes do automobilismo mundial. No início de 2023, o chefe de equipe da Red Bull Racing da Fórmula 1, Christian Horner, deu uma entrevista afirmando que a popularidade do esporte com as mulheres é devido a série da Netflix “Dirigir para viver” e os “jovens pilotos bonitos”.
O comentário feito por o chefe de equipe da atual campeã de construtores da F1 trouxe uma onda de represália por mulheres que acompanham o esporte.
Apesar de conceitos ultrapassados sobre o que uma mulher pode gostar ou não, o público feminino segue fiel ao esporte. E figuras como Babi Rodrigues inspiram jovens mulheres que sonham em seguir carreira na área.
“Hoje em dia eu faço questão, pelo cargo que ocupo, de chocar, de ser cada vez mais feminina, de mostrar que não é aparência, não é gênero que mostra capacidade, e sim um trabalho muito sério com dedicação.” relata.
Nos 16 anos de categoria, a Stock Car teve apenas a Babi como chefe de equipe, e poucas mulheres em cargos de liderança em engenharia ou mecânica. Além disso, nenhuma mulher piloto competindo.
“Capacidade não tem gênero, mas oportunidade aqui no automobilismo ainda tem.” reflete.
E mesmo para uma profissional que ocupa o maior cargo de chefia em uma equipe as barreiras do machismo ainda aparecem “Sempre acontece [machismo]. Não apenas por eu ser mulher, mas por ser uma chefe de equipe muito jovem. Eu saio da curva, e tudo que é diferente tira a gente da zona de conforto” relata.
O número de mulheres trabalhando no esporte ainda é muito baixo. Na Fórmula 1, por exemplo, não chega aos 20% na equipe com mais funcionárias. Mas se depender da chefe de equipe, esse cenário irá mudar.
“Nós precisamos lutar ativamente para aumentar as oportunidades para as mulheres. Minha obrigação como mulher e chefe de equipe é abrir portas e apoiar jovens profissionais jovens profissionais que querem ingressar na categoria. “ afirma.



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